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Araticum na SOBRE2026

Entre os dias 27 e 31 de julho, a capital federal sediou a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica, com o tema “Inclusão e Justiça Climática”. O evento, organizado pela Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE), em parceria com a Araticum, integrou o conhecimento científico, as experiências práticas de restauração e os conhecimentos dos guardiões dos territórios, com a presença de representantes de Povos Indígenas, Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares (PIQPCTAFs). A Conferência reuniu 1.700 participantes, com maioria feminina e 70 participantes indígenas de 38 povos de diferentes biomas. Realizado durante a Década da Restauração de Ecossistemas da ONU (2021–2030), o evento teve como objetivo central posicionar a restauração como uma estratégia econômica viável, além de um importante mecanismo para a promoção da justiça socioambiental.

A SOBRE2026 teve início na segunda-feira (27), com reunião de cada um dos coletivos biomáticos que representam a restauração nos seis biomas brasileiros. O Encontro Araticum reuniu aproximadamente 80 pessoas e, na ocasião, foi realizada uma dinâmica para identificar as iniciativas atuantes na recuperação da vegetação nativa do Cerrado. A atividade possibilitou reencontro de membros da Araticum e a chegada de novas pessoas para o fortalecimento do movimento.

A realização do evento em Brasília ampliou a visibilidade das iniciativas de restauração no Cerrado e das particularidades do bioma nessa agenda. Nos dias seguintes, membros da Araticum participaram de diferentes atividades da SOBRE2026, como plenárias, sessões simultâneas, oficinas e apresentações de pôsteres. Ao todo, membros e lideranças da Araticum participaram como painelistas de 3 plenárias, 8 sessões simultâneas e 1 oficina no Vozes da Restauração. Além disso, o pôster do “Diagnóstico Socioambiental de Redes Comunitárias Coletoras de Sementes do Cerrado” – publicação lançada pela Araticum durante a SOBRE2026 – também foi apresentado.

As plenárias abordaram a necessidade de planejar a restauração considerando os cenários futuros de mudanças climáticas, bem como a complementaridade entre conservar áreas nativas e restaurar paisagens degradadas e, sobretudo, conter o desmatamento. A experiência de comunidades locais evidenciou a importância da atuação territorial e da permanência dos povos e comunidades tradicionais para o enfrentamento da crise climática. Também foi destacada a necessidade de ampliar e democratizar o financiamento da restauração, assegurando que os recursos cheguem às organizações comunitárias de forma justa e inclusiva.

Nas sessões simultâneas, realizadas nos dias 28 e 30, a Araticum foi representada por membros e lideranças em diferentes espaços de diálogo relacionados à recuperação da vegetação nativa. As contribuições destacaram o papel dos coletivos biomáticos na governança de paisagens e na territorialização de políticas públicas, a atuação da Araticum como plataforma multiatores com protagonismo comunitário, a importância da diversidade e das práticas territoriais para a resiliência socioecológica, além da formação de agentes, do monitoramento, da segurança e equidade, da construção de padrões nacionais e da implementação dos Territórios da Restauração.

A quarta-feira foi dedicada às Vozes da Restauração, com formatos abertos de diálogo destinados a promover a inclusão e a diversidade social, racial, étnica e de gênero. Os coletivos se reuniram para apresentar experiências de quem realiza a restauração nos territórios: agricultores familiares, indígenas, geraizeiros, quilombolas e tantos outros segmentos de povos e comunidades tradicionais que guardam, em suas diferentes culturas, o ato de cuidar da terra.

Lançamentos

A Araticum lançou duas novas publicações durante a SOBRE2026, que já estão disponíveis para download em nosso site:

• O “Diagnóstico socioambiental das redes comunitárias coletoras de sementes do Cerrado”, trabalho conduzido por Yasmin Tavares e desenvolvido, em 2025, junto a sete organizações comunitárias coletoras de sementes, presentes em seis estados do Cerrado — GO, DF, MG, BA, TO e PA —, envolvendo 150 coletoras e coletores de sementes: araticum.org.br/biblioteca/diagnostico-socioambiental

• O estudo “Políticas Públicas de Restauração Ecológica nos Estados do Cerrado”, de autoria de Laura Cristina Pantaleão e Laura Antoniazzi, que analisa o papel decisivo dos estados do Cerrado no fortalecimento das políticas públicas de restauração, por meio da criação de normas e instrumentos que considerem as especificidades regionais e, ao mesmo tempo, estejam articulados às diretrizes e exigências estabelecidas pela legislação federal: araticum.org.br/biblioteca/politicas-publicas-estados-do-cerrado

No quinto e último dia da SOBRE2026, Fabrícia Santarém Costa, da COOCREARP e coordenadora da Araticum, participou do encerramento da plenária “Financiamento para uma Restauração Diversa e Inclusiva”. Em sua fala inspiradora, Fabrícia fez um chamado contundente aos financiadores da restauração no Cerrado para que observem a forma como as comunidades lideram os projetos em seus territórios. Apesar dos recursos e prazos escassos, essas comunidades dedicam voluntariamente seu tempo aos cuidados permanentes necessários para restaurar áreas e assegurar a manutenção de seus modos de vida.

Nesta edição, a SOBRE2026 enalteceu os princípios da restauração inclusiva defendidos pela Araticum, levando aos seus palcos e auditórios a voz ativa de representantes dos povos e comunidades tradicionais do Cerrado e dos demais biomas do Brasil. Assim como o Cerrado é responsável por fazer pulsar água e vitalidade para o Brasil, as organizações comunitárias, formadas por diferentes segmentos sociais, são a força propulsora para viabilizar a restauração em escala no país.

A mensagem que permanece da SOBRE2026 é a de que a restauração é feita de pessoas, repletas de saberes acumulados ao longo do tempo. Restaurar e conectar paisagens também significa fortalecer vínculos, apoiar a sociobiodiversidade e assegurar financiamento contínuo, adequado e acessível às organizações e comunidades que lideram esse trabalho nos territórios.

Galeria

Com fotos de

  • Deusenir Santana / Kalunga Comunicações
  • Isabelle Almeida / Kalunga Comunicações
  • Hugo Lira / WRI Brasil
  • Acervo Araticum

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