Políticas Públicas dos Estados

O Cerrado é a savana mais biodiversa do planeta e o “Berço das Águas” do Brasil. No entanto, a conversão de áreas vegetação nativa para outros usos da terra e os impactos das mudanças climáticas tornam a recuperação do bioma uma tarefa urgente. Por ser um bioma compartilhado por diversas unidades federativas, a restauração em escala depende da atuação dos governos estaduais em conjunto com o governo federal.  São os Estados que possuem a responsabilidade de regulamentar as leis, implementar os mecanismos de regularização ambiental, fiscalizar e criar incentivos técnicos e financeiros adaptados às realidades de cada região. Para mapear o papel e as iniciativas estaduais, a Araticum e a Agroicone realizaram uma pesquisa sobre as políticas públicas de restauração no Cerrado.

A pesquisa consultou 11 órgãos ambientais de 9 estados do bioma e do Distrito Federal, levantando informações sobre as políticas públicas de restauração da vegetação nativa em andamento, os incentivos e os principais gargalos enfrentados. As unidades federativas que participaram do estudo estão representadas no mapa abaixo.

Figura 1. Unidades federativas incluídas no estudo de Políticas Públicas do Cerrado

A pesquisa abrangeu a maior parte do bioma, mostrando que a restauração da vegetação nativa no Cerrado avança em ritmos diferentes dependendo da região. Enquanto alguns estados já possuem programas e incentivos financeiros, outros ainda estão dando os primeiros passos no apoio aos proprietários de imóveis rurais para a regularização ambiental.

Um dos maiores desafios apontados pelos órgãos é a falta de recursos financeiros e de articulação interinstitucional (citada por 9 órgãos), a carência de equipes técnicas treinadas (5 órgãos), os custos elevados e ao desconhecimento dos proprietários de imóveis rurais em relação ao assunto (6 órgãos). Além disso, a maioria dos estados ainda não possuem dados consolidados sobre a extensão das áreas em processo de restauração, o que dificulta o monitoramento e a integração das ações locais às diretrizes do governo federal. Em relação à treinamentos, apenas o Estado de São Paulo realiza capacitações regulares para seus técnicos, enquanto os outros órgãos realizam capacitações ocasionalmente ou nunca.

Para entender a situação do principal instrumento de regularização ambiental, o mapa abaixo mostra que 6 Unidades Federativas já têm o Programa de Regularização Ambiental (PRA) regulamentado com adesão em andamento, 1 possui regulamentação sem adesão de imóveis e 3 ainda necessitam de regulamentação estadual para o programa sair do papel.  

Figura 1. Unidades federativas incluídas no estudo de Políticas Públicas do Cerrado
Figura 1. Unidades federativas incluídas no estudo de Políticas Públicas do Cerrado

Embora persistam alguns gargalos estruturais, percebe-se um avanço na agenda de restauração em diversos estados, como por exemplo, o fato de 9 dos 11 órgãos consultados possuírem parcerias ativas com entidades externas, como ONGs, empresas privadas, universidades e fundos internacionais. Mecanismos baseados na bioeconomia, o mercado de créditos de carbono e de biodiversidade, além de parcerias entre o poder público, o setor privado, universidades e a sociedade civil são vistas como caminhos para financiar e dar escala à restauração da vegetação nativa no Cerrado. 

Nesse sentido, o fortalecimento institucional dos órgãos de meio ambiente e a criação de espaços permanentes de diálogo entre estados e governo federal são passos importantes para diretrizes que estão “no papel” se traduzirem em áreas efetivamente restauradas. O estudo reforça que a consolidação dessa agenda de fortalecimento das políticas públicas estaduais é o caminho para garantir a restauração da vegetação nativa em escala no Cerrado.

Baixe aqui o trabalho completo e boa leitura!  

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